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Internacional: os seis jogos que ajudam a entender a história do clube

Série do GLOBO escolhe n?o as melhores ou maiores partidas, mas aquelas que fizeram do colorado o que ele é atualmente
Seis jogos que ajudam a entender a história do Internacional Foto: Editoria de Arte
Seis jogos que ajudam a entender a história do Internacional Foto: Editoria de Arte

Da derrota acachapante ao nascer de um ídolo, passando por uma atua??o inesquecível. Se talvez n?o seja fácil escolher seis jogos históricos de uma equipe em uma década, que dirá em 111 anos?

Em alguns casos n?o foi fácil fugir do óbvio, daquele jogo que está no imaginário de todo colorado, mas a lista n?o pretende apenas celebrar títulos, e sim tentar mostrar o caminho percorrido até que eles foram conquistados. Um caminho que come?ou muito tempo atrás, quando o S, o C e o I se entrela?aram pela primeira vez no escudo sobre o lado esquerdo de um manto vermelho.

Inspirado em um artigo do New York Times, O GLOBO resgatou seis jogos que ajudam a entender a história e que formaram a identidade do Internacional, fundado em 1909 com o objetivo de ser "o clube do povo".

Veja:Seis jogos que ajudam a entender a história do futebol brasileiro

O mesmo formato foi aplicado aos cariocas Botafogo,  Flamengo,  Fluminense e Vasco e, na quarta-feira, Atlético-MG e Cruzeiro abriram a série dos outros grandes do futebol brasileiro, seguidos pelo colorado e pelo Grêmio.

Grêmio 10 x 0 Internacional

Amistoso – Estádio da Baixada – Porto Alegre, 18 de julho de 1909
Há 111 anos nascia o Internacional e uma das maiores rivalidades do esporte mundial Foto: Internacional/Divulga??o
Há 111 anos nascia o Internacional e uma das maiores rivalidades do esporte mundial Foto: Internacional/Divulga??o

O colorado mais fanático deve estar pensando por que ainda n?o fechou o navegador. Alguns talvez estejam procurando o e-mail do autor da matéria para escrever alguns impropérios. Como a derrota mais humilhante na história dos clássicos pode estar em uma lista de jogos históricos do Internacional? A verdade, caro leitor que resistiu ao impulso e chegou aqui, até a terceira frase desse texto, é que foi naquele longínquo julho de 1909 que teve início a maior rivalidade do Brasil e, qui?á, do mundo — claro, sempre haverá opini?es contrárias, mas é da vida.

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O Grêmio, com seis anos de vida, era um 'club de foot-ball' já estabelecido à época. O Inter havia sido fundado três meses antes, e resolveu desafiar o tricolor para a primeira partida de sua história. O presidente do Grêmio chegou a propor que o jogo fosse disputado contra sua segunda equipe, o time de reservas, o que foi prontamente refutado pelos orgulhosos colorados. O resultado foi um chocolate amargo e inesquecível, que poderia ter sepultado ali a iniciativa de formar um clube de futebol para desafiar os poderosos rivais.

N?o foi o que aconteceu. Nasceu uma fagulha que, 111 anos depois, está mais acesa do que nunca — vide o último Gre-Nal, disputado pela Libertadores antes da paralisa??o pelo coronavírus com distribui??o de sopapos e cart?es vermelhos a torto e direito. O Inter só venceria seu primeiro clássico em 1915, mas seis anos antes já havia sido estabelecido o dogma que faz Porto Alegre e o Rio Grande do Sul girarem: o Inter precisa ser melhor do que o Grêmio, que precisa ser melhor do que o Inter, que necessita com todas as for?as superar o Grêmio...

Internacional 2 x 1 Benfica

Amistoso – Beira-Rio – Porto Alegre, 6 de abril de 1969
Inaugura??o do Beira-Rio em 1969 Foto: Internacional/Divulga??o
Inaugura??o do Beira-Rio em 1969 Foto: Internacional/Divulga??o

Um estádio construído sobre um rio. Parecia piada. E elas estavam por toda a parte. Os rivais brincavam dizendo que o Inter n?o deveria vender cadeiras cativas para seu novo estádio, mas sim "bóias cativas". Depois de dez anos de obras, que contaram com a ajuda da torcida, o colorado enfim inaugurou sua nova casa. O estádio José Pinheiro Borda, mais conhecido como Gigante da Beira-Rio, nasceu como um dos maiores estádios particulares do mundo. E um passaporte para uma nova e vitoriosa era.

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Enquanto investia em sacos de cimento e vergalh?es, o Inter viu seu grande rival enfileirar sete títulos seguidos no Estadual (1962 a 1968) e assumir a hegemonia no Rio Grande do Sul. A inaugura??o do Beira-Rio sacudiu as estruturas locais.

O primeiro jogo foi de festa: uma vitória sobre o poderoso Benfica, de Eusébio, diante de quase 100 mil pessoas — áureos tempos pré-arena onde faltava conforto mas sobrava empolga??o. E a festa virou uma t?nica no Beira-Rio. O Inter empilhou oito Estaduais seguidos, deixou o Grêmio para trás e ganhou corpo e confian?a para al?ar voos mais altos. Era hora de conquistar o país.

Internacional 1 x 0 Cruzeiro

Campeonato Brasileiro, Beira-Rio, Porto Alegre, 14 de dezembro de 1975
Figueroa (camisa 3 do Internacional) marca de cabe?a o gol da vitória sobre o Cruzeiro Foto: Agência O Globo
Figueroa (camisa 3 do Internacional) marca de cabe?a o gol da vitória sobre o Cruzeiro Foto: Agência O Globo

O Beira-Rio havia sido erguido sobre as águas barrentas do rio Guaíba e o Internacional vencia Estaduais como quem troca de camisa. Mas faltava algo. A fronteira com Santa Catarina já era pouco e o Internacional queria mais.

A prova definitiva para entrar no clube dos grandes veio em dezembro de 1975. Do outro lado estava o Cruzeiro de Raul, Nelinho, Piazza. Mas o Inter tinha Falc?o, Carpegiani, Manga, Figueroa. Era um esquadr?o de craques buscando o reconhecimento nacional. O "gol iluminado" de Figueroa abriu o caminho para três títulos brasileiros quase em sequência (1975, 76 e 79) e apresentou definitivamente ao país um dos melhores times da década.

Internacional 2 x 3 Olimpia

Libertadores da América, Beira-Rio, Porto Alegre, 17 de maio de 1989
Internacional foi eliminado da Libertadores de 1989 pelo Olimpia, nos pênaltis Foto: Reprodu??o
Internacional foi eliminado da Libertadores de 1989 pelo Olimpia, nos pênaltis Foto: Reprodu??o

A gloriosa década de 70 já era coisa do passado, mas o Internacional ainda fazia algumas gra?as nos anos 80. Foram dois vice-campeonatos brasileiros seguidos, em 87 e 88, e quando menos se deu conta o time treinado pelo jovem Abel Braga estava nas semifinais da Libertadores. Decidindo a vaga em casa, após ter derrotado o Olimpia por 1 a 0 no Paraguai. Era só n?o pisar na bola e pronto, o sonho de disputar novamente a maior competi??o sul-americana seria alcan?ado.

Parecia fácil. Mas essa era uma palavra que definitivamente n?o existia no dicionário dos colorados. O Olimpia foi até Porto Alegre e venceu por 3 a 2 no tempo normal, com direito a pênalti desperdi?ado pelo artilheiro Nilson. N?o havia o critério de gol qualificado. A disputa da vaga foi para os pênaltis. O volante Leomir desperdi?ou sua cobran?a e o sonho de uma noite de ver?o virou o pesadelo de uma noite de inverno.

Se houvesse uma elei??o, esta provavelmente venceria o nada honroso posto de mais doída derrota do colorado gaúcho. Um fracasso que jogaria o clube em um período tenebroso de anos de sofrimento, com a exce??o da Copa do Brasil de 1992, e frustra??es. Seriam longos 17 anos de espera até que o time pudesse enfim chegar à decis?o da Libertadores. E aí Abel Braga e Leomir teriam um acerto de contas com a história.

Internacional 2 x 0 Grêmio

Campeonato Brasileiro, Beira-Rio, Porto Alegre, 10 de julho de 2004
Fernand?o, eterno ídolo colorado, em registro de 2006 Foto: Divulga??o
Fernand?o, eterno ídolo colorado, em registro de 2006 Foto: Divulga??o

Era um Gre-Nal que poderia ser apenas protocolar, se é que existe clássico protocolar, pelo primeiro turno do Brasileir?o de 2004. Havia, porém, um ingrediente para apimentar a partida: poderia sair naquele frio domingo de julho o milésimo gol da história dos Gre-Nais. Ele saiu, e pela cabe?a de um estreante. O goiano Fernando Lúcio da Costa, mais conhecido como Fernand?o, mal havia chegado ao Rio Grande do Sul e n?o perdeu tempo para escrever seu nome na história de uma das maiores rivalidade do mundo. Com uma testada forte, garantiu a vitória por 2 a 0 e iniciou uma trajetória com a qual nem o mais otimista dos colorados poderia sonhar.

Fernand?o foi pe?a-chave e maior símbolo da reconstru??o de um clube que quase havia sido rebaixado dois anos antes. Quase conquistou o Brasileir?o em 2005 — o infame ano dos jogos anulados pelo escandalo da arbitragem —, mas no ano seguinte se transformou no "Capit?o América", conduzindo o Inter à inédita conquista da Libertadores e, posteriormente, do Mundial de Clubes. Em um currículo recheado de títulos, um simples gol em um protocolar clássico de primeiro turno de Brasileir?o poderia até passar desapercebido. Mas foi naquele frio domingo de julho que a história de Fernand?o no Inter teve início. E quem disse que existe clássico protocolar?

S?o Paulo 1 x 2 Internacional

Libertadores – Morumbi – S?o Paulo, 09 de agosto de 2006
Internacional venceu o S?o Paulo, no Morumbi, na ida da final da Libertadores de 2006 Foto: Mauricio Lima / AFP
Internacional venceu o S?o Paulo, no Morumbi, na ida da final da Libertadores de 2006 Foto: Mauricio Lima / AFP

O Internacional tinha um belo time e havia feito ótima campanha na Libertadores. Mas campanha n?o vale título, e a sala de troféus do Beira-Rio já come?ava acumular poeira. A última conquista de express?o havia sido a Copa do Brasil de 1992 — fora isso, apenas Estaduais. Era a hora da verdade para o clube: viver do passado ou come?ar uma nova era? O adversário na final era o atual campe?o da América e do mundo. O temido S?o Paulo de Rogério Ceni, Lugano e cia, comandado por Muricy Ramalho, que t?o bem conhecia o Inter. No banco colorado, Abel Braga tinha a seu lado o auxiliar técnico Leomir. Duas figuras com um dem?nio do tamanho do Beira-Rio para exorcizar.

O Inter acabaria campe?o na semana seguinte, dia 16 de agosto, em Porto Alegre, mas o caminho para a noite de glória no Beira-Rio foi pavimentado no dia 9, em uma das maiores atua??es da história do clube. Diante de um Morumbi botando gente pelo ladr?o, o colorado mostrou uma calma típica de quem disputava decis?es daquele porte todo o ano — o que, claro, n?o era verdade, a última final sul-americana havia sido no distante 1980.

Controlando boa parte da partida, o Inter viu Rafael Sóbis ser possuído pelo espírito de Garrincha, tirar Fab?o para dan?ar e chutar no cantinho de Ceni para abrir o placar. O mesmo Sóbis marcaria outro gol, além de seu nome no pante?o dos heróis colorados. A vitória por 2 a 1 no Morumbi al?ou o colorado gaúcho a, para usar uma express?o atual, outro patamar. O clube viu que era possível voltar a vencer e desafiar qualquer oponente, em qualquer gramado. O Barcelona de Ronaldinho Gaúcho e Deco que o diga...

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