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Mansur: Neymar e De Bruyne, dois craques com identidades distintas

City e PSG, similares por servirem a interesses de estados nacionais, veem suas estrelas ditarem as oposi??es em campo

Que for?as s?o mais determinantes no resultado de uma partida de futebol? O jogo é exclusivamente dos jogadores e de seu talento? Ou pertence aos treinadores e suas táticas? N?o é simples hierarquizar. A história já se cansou de consagrar campe?es construídos com diferentes níveis de protagonismo de jogadores especiais ou de estrategistas marcantes.

O fascinante é quando se encontram times em que coletivo e individual se equilibram de forma t?o distinta. E que s?o liderados por craques de personalidades futebolísticas t?o opostas. Quando o mundo se deu conta de que Manchester City x Paris Saint-Germain fariam a semifinal da Liga dos Campe?es, a primeira rea??o foi pensar no duelo de novos ricos, no clássico da nova modalidade de financiamento no futebol, em que astros e um jogo vistoso tentam polir a imagem de estados nacionais com péssima reputa??o quanto ao respeito a direitos humanos. Mas, no aspecto esportivo, as oposi??es entre Neymar e Kevin de Bruyne, ou entre a equipe de Guardiola e a de Neymar e Mbappé, demarcam com precis?o as identidades de cada equipe.

Quando o City foi campe?o inglês somando 100 pontos, Kevin de Bruyne formava com David Silva uma dupla de meias. Ambos jogavam à frente de um volante, à época Fernandinho, e o belga se posicionava mais à direita. Mais tarde, Guardiola chegou a usá-lo como um meia mais centralizado, depois passou a trazê-lo para perto do volante, iniciando as jogadas. Nesta temporada, tem sido comum ver o melhor meio-campista do mundo partir da posi??o de centroavante, de onde se move para receber a bola e criar espa?os: o chamado “falso 9”. Na quarta-feira, na Alemanha, quando o City eliminou o Borussia Dortmund com controle absoluto durante ao menos três quartos do duelo, De Bruyne formava com Bernardo Silva quase uma “dupla de falsos 9”, e o belga pendia para o lado esquerdo.

A trajetória real?a a condi??o de De Bruyne de protótipo do jogador total. é capaz de desequilibrar jogos à base de talento, da técnica apurada quase sempre posta à servi?o de um sistema coletivo. E este é um tra?o do Manchester City: uma equipe de excelentes jogadores, mas n?o uma cole??o de melhores do mundo em suas posi??es — exce??o ao belga. A estrela é o sistema, o toque do melhor treinador do mundo para produzir um jogo de admirável beleza. Mas, por vezes, torneios como a Liga dos Campe?es pedem uma dose de rebeldia do jogador capaz de ser, ele próprio, a for?a dominante quando o sistema trava.

é o que sobra em Neymar, como se viu na ter?a-feira, diante do Bayern. O brasileiro é o jogador do mundo que mais combina o passe no meio-campo, a bola em profundidade perto da área, o drible, o gol e, acima de tudo, a divers?o. Se De Bruyne é a técnica da execu??o e a obediência a um modelo de jogo, Neymar é dos raros jogadores capazes de, no melhor sentido do termo, anarquizar uma partida, provocar desequilíbrio através do malabarismo, da inven??o. Hoje, o faz num PSG sem um sistema t?o sólido, um time com destino muito mais encomendado ao talento dos seus atacantes do que o City.

Em menos de duas semanas, v?o se encontrar duas formas de interpretar o jogo, duas maneiras de solucionar problemas. Apenas uma delas terá lugar na decis?o, mas o futebol seguirá sendo um jogo sem fórmulas.

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