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Por que a Superliga europeia pode dar problema

Além da oposi??o das entidades, efeito na cadeia do futebol gera incertezas
Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, é o presidente da Superliga Foto: GIUSEPPE CACACE / AFP
Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, é o presidente da Superliga Foto: GIUSEPPE CACACE / AFP

As reuni?es secretas culminaram em um comunicado público que agitou ontem o mundo da bola. Doze dos principais clubes de Inglaterra, Espanha e Itália se uniram para criar a Superliga. Na prática, uma declara??o de guerra ao atual modelo da Champions League da Uefa e quase independência das ligas nacionais. Tirar o plano do papel está longe de ser algo simples.

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O bloco é formado por Milan, Arsenal, Atlético de Madrid, Chelsea, Barcelona, Inter de Mil?o, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham. Eles n?o querem abandonar as competi??es de seus respectivos países. Mas o passo dos clubes rumo à realiza??o da Superliga já rende amea?as de puni??o e exclus?o de torneios por parte da Uefa e das ligas nacionais.

O grupo que se uniu anunciou o formato da competi??o que planeja colocar em marcha “t?o logo seja possível”. A ideia para o torneio é ter 20 clubes, com jogos nos meios de semana. Boa parte está no papel, a ideia é come?ar em "um agosto". A contragosto de quem comanda o futebol.

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— Fala-se de Superliga há mais de 20 anos na Europa. Uma coisa é anunciar um projeto completo, outro é vê-lo realizado. Vai levar muito tempo antes de assistirmos à primeira partida da Superliga. Para mim, parece tudo muito nebuloso ainda, com clubes associativos, como Real Madrid e Barcelona, e outros de investidores privados — disse ao GLOBO Umberto Gandini, ex-diretor organizacional do Milan e ex-membro da Associa??o Europeia de Clubes (ECA, sigla em inglês).

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O bloco atual de membros da Superliga espera acrescentar mais três à condi??o de “fundadores”. Para fechar os 20 participantes por torneio, a proposta é puxar outros cinco por critérios alcan?ados anualmente. N?o há previs?o de rebaixamento.

No momento, eles n?o vir?o de Fran?a e Alemanha. A ideia inicial era convencer Bayern de Munique e Paris Saint-Germain, que fazem parte do bloco de clubes com maior valor de marca, segundo estudo da KPMG. Mas houve recusa.

Modelo da Superliga Foto: Editoria de Arte
Modelo da Superliga Foto: Editoria de Arte

Nada de rebaixamento

à frente da Superliga está Florentino Perez, reeleito para ser o mandatário do Real Madrid até 2025. Ele tem como vices Andrea Agnelli, presidente da Juventus, e Joel Glazer, um dos donos do Manchester United.

Glazer é americano, assim como os donos de Liverpool, John Henry, e Arsenal, Stan Kroenke. Logo, parte do DNA da Superliga vem de uma cultura que exporta exemplos como NBA e NFL.

— Alguns dos novos donos dos clubes s?o americanos e est?o acostumados com um modelo vencedor de liga, onde n?o tem rebaixamento e os contratos de TV s?o cada vez maiores. Só que por lá a estrutura de forma??o de atletas vem basicamente das universidades. No futebol, depende de um ecossistema de clubes — disse Gustavo Hazan, gerente sênior da área de esportes da EY.

A promessa é que a competi??o renderá mais que a Champions, com rendimentos “superiores a 10 bilh?es de euros durante o período de compromisso inicial dos clubes”. Os fundadores ainda receberiam 3,5 bilh?es para apoiar investimento em infraestrutura e para compensar o impacto da pandemia da Covid-19.

— No primeiro momento, tenderia a ser uma competi??o estrelada, de clubes ricos e turbinados com mais dinheiro. Encheria estádios e teria enorme valor de direitos de transmiss?o. Mas como n?o existem 15 candidatos ao título, a competi??o com o tempo também perderia o interesse em vários lugares. A Champions é forte porque leva equipes que podem vencer. Isso aumenta interesse e dinheiro. Uma vez estática, tende à concentra??o e menos dinheiro no tempo — avaliou o economista César Grafietti, do Itaú BBA.

Vai ter puni??o?

A Uefa adotou tom pesado para criticar a iniciativa dos 12 clubes. A entidade continental prometeu esfor?os conjuntos com as outras ligas nacionais “para parar esse projeto cínico, fundado em interesses próprios de poucos clubes em um momento em que a sociedade precisar mais do que nunca de solidariedade”.

Além de amea?ar os clubes, a entidade citou jogadores que participarem da Superliga como passíveis de banimento de “todas as competi??es da Uefa e Fifa, europeias ou internacionais”. Há uma discuss?o jurídica a respeito disso, mas a Eufa n?o abre m?o do argumento.

— A redu??o de dinheiro no resto da estrutura afetará forma??o de atletas. E ainda tem potencial impacto de restri??es da Fifa aos atletas. Todos acabam perdendo: a Copa do Mundo que ficaria sem grandes nomes e os grandes nomes que ficariam sem Copa. E isso tem enorme impacto financeiro nas estruturas do futebol — completou Grafietti.

 A Uefa valorizou a decis?o de alem?es e franceses de n?o aderir ao movimento tachado como separatista. A Federa??o Francesa de Futebol e a Liga de Futebol da Fran?a emitiram nota conjunta e disseram que “sonhos hegem?nicos de uma oligarquia resultar?o no desaparecimento de um sistema europeu que permitiu que o futebol se desenvolvesse sem precedentes no continente”. A Fifa, por sua vez, se disse contra uma “liga separatista europeia fechada”, fora das estruturas futebolísticas.

— A quest?o central reside na eterna divergência entre a autonomia que os clubes endentem ter para definir sua própria vida, por um lado, e por outro na existência de um sistema federativo fechado que n?o permite competi??es entre clubes que n?o sejam autorizadas por federa??es ou confedera??es. Caso seja efetivamente levado adiante o plano de constitui??o da Superliga, haverá rea??o imediata da Uefa e Fifa e poderemos ter a maior batalha legal no futebol mundial desde o conhecido caso Bosman, que redundou na extin??o do passe — disse o advogado Eduardo Carlezzo.

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