Após san??es de Washington, Kremlin retalia com expuls?o de dez diplomatas, mas deixa porta aberta para conversas

Medidas s?o resposta a pacote de san??es anunciado pela Casa Branca, e incluem veto à entrada de funcionários e ex-funcionários da Casa Branca; Fran?a, Ucrania e Alemanha pedem retirada de tropas russas da fronteira
Presidente russo Vladimir Putin participa de reuniao do Conselho de Seguran?a Nacional, por teleconferência, da residência oficial de Novo-Ogaryovo Foto: SPUTNIK / via REUTERS
Presidente russo Vladimir Putin participa de reuniao do Conselho de Seguran?a Nacional, por teleconferência, da residência oficial de Novo-Ogaryovo Foto: SPUTNIK / via REUTERS

MOSCOU — Um dia depois dos EUA aplicarem um pacote de san??es contra funcionários e institui??es ligadas ao governo da Rússia, além de determinar a expuls?o de dez diplomatas russos no país, o Kremlin retaliou com san??es, expuls?es e palavras duras, porém se dizendo “pronto para um diálogo calmo e profissional” com os americanos.

Anunciadas na quinta-feira, as medidas americanas foram o que o presidente Joe Biden chamou de “resposta proporcional” a atos considerados hostis. Ali, citou as acusa??es de ciberataques, como o ocorrido no final do ano passado, mirando em redes privadas e governamentais, e denúncias de interferência nas elei??es de novembro.

Menos de 24 horas depois, veio a resposta. Em comunicado, o Ministério das Rela??es Exteriores russo anunciou a expuls?o de dez diplomatas americanos baseados em Moscou — hoje a única representa??o diplomática dos EUA em solo russo — alegando reciprocidade.

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Também foram aplicadas san??es, na prática um veto à entrada no país, a funcionários e ex-funcionários do governo americano. A lista inclui o secretário de Justi?a, Merrick Garland, o diretor do FBI, Christopher Wray, a conselheira de Seguran?a Interna, Susan Rice, o secretário de Seguran?a Interna, Alejandro Mayorkas, e a diretora da Inteligência Nacional, Avril Haines.

Chama a aten??o na lista a presen?a do ex-conselheiro de seguran?a nacional, John Bolton, e Robert Woolsey, que comandou a CIA entre 1993 e 1995. O atual embaixador americano em Moscou, John Sullivan, também recebeu a sugest?o para retornar a Washington para “consultas sérias” com a Casa Branca.

Duelo de vis?es

Mesmo antes da chegada de Joe Biden à Casa Branca, o ex-vice de Obama destacava a necessidade de uma postura mais dura diante da Rússia, citando as acusa??es de interferência em processos eleitorais e ciberataques. No cenário internacional, Washington vê com preocupa??o as a??es russas no Mar Negro e perto das fronteiras com a Ucrania, além de a??es como o novo gasoduto Nord Stream 2, apontado por Washington como uma amea?a à soberania econ?mica e territorial da Europa.

Moscou, por sua vez, vê essa posi??o como uma tentativa de interferência americana em uma zona que os russos tentam restabelecer como área de influência. A diplomacia russa se baseia em uma premissa apresentada por Putin em 2007, apontando que o mundo unipolar dos primeiros momentos do pós-Guerra Fria, com apenas uma potência dominante, os EUA, já n?o existe mais. O próprio comunicado da chancelaria russa menciona que “os EUA n?o est?o dispostos" a tolerar "o fato de que na nova realidade geopolítica n?o há lugar para regras ditadas unilateralmente”.

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Apesar da retórica agressiva, tanto EUA como Rússia deixaram em aberto a possibilidade de um canal de diálogo em temas estratégicos, como o desarmamento nuclear e mesmo a seguran?a na Europa. Na ter?a-feira, em conversa telef?nica entre Biden e Putin, o líder americano prop?s um encontro bilateral, que ocorreria nos próximos meses, o que já está sendo conversado por representantes dos dois governos. O governo finlandês já se apresentou para sediar a conversa, a primeira entre os dois como chefes de Estado.

Tal como Biden fez na quinta-feira, ao dizer que deseja uma diplomacia “previsível e estável” com Moscou, os russos apontaram que gostariam de “evitar uma escalada com os EUA”, se colocando prontos para “um diálogo calmo e profissional do lado americano, para encontrar formas de normalizar as rela??es bilaterais”.

Pedido de retirada

Nesta sexta-feira, em uma outra frente diplomática, líderes de Ucrania, Alemanha e Fran?a pediram que o Kremlin retire suas tropas das áreas próximas à fronteira ucraniana. Em reuni?o, os presidentes francês, Emmanuel Macron, e ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, que estavam em Paris, e a chanceler alem? Angela Merkel, por teleconferência, se disseram preocupados com o refor?o no contingente militar nas fronteiras e na Crimeia, península anexada por Moscou em 2014 depois de um referendo n?o reconhecido internacionalmente.

Para eles, tal retirada era necessária para “diminuir a escalada na regi?o” —  os ucranianos veem esse aumento, além de ser uma forma de intimida??o, como um sinal de uma possível opera??o militar em seu território.

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Zelensky também defendeu uma reuni?o envolvendo a Rússia, a Fran?a e a Alemanha, para  discutir "a situa??o de seguran?a no Leste da Ucrania”. Berlim e Paris s?o mediadores do conflito desde 2014, no chamado Formato da Normandia. Hoje, um cessar-fogo acertado em julho do ano passado está por um fio, em meio a viola??es dos militares ucranianos e das milícias separatistas pró-Moscou.

Em resposta, o secretário de Imprensa do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que cabia a Merkel e Macron convencer a Ucrania a interromper “qualquer ato de provoca??o” e a "enfatizar a necessidade de cumprimento incondicional do cessar-fogo". A Rússia declara que as movimenta??es se referem a exercícios e movimenta??es já previstos, e por sua vez aponta um aumento no número de tropas nas fronteiras de países da Otan, a principal alian?a militar do Ocidente, com o território russo.

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