às vésperas de cúpula, EUA e China dizem estar 'empenhados em cooperar' diante de crise ambiental

Em comunicado conjunto, países se comprometem a elaborar até o fim do ano estratégias para atingir a neutralidade do carbono e a auxiliar na??es emergentes 'quando possível'
Enviado ambiental de Joe Biden, John Kerry, durante visita a Xangai Foto: ALY SONG / REUTERS/14-4-21
Enviado ambiental de Joe Biden, John Kerry, durante visita a Xangai Foto: ALY SONG / REUTERS/14-4-21

XANGAI, China — A China e os Estados Unidos afirmaram, na manh? deste domingo —  sábado à noite no Brasil —,  estarem "empenhados em cooperar" para fazer frente à crise climática global, e concordaram que compromissos ambientais mais ambiciosos devem ser introduzidos até o fim do ano. A declara??o foi feita em um comunicado no encerramento da visita do enviado climático do presidente Joe Biden, John Kerry, a Xangai, às vésperas da Cúpula de Líderes sobre o Clima, evento organizado pela Casa Branca que reunirá 40 chefes de Estado e governo nos dias 22 e 23 de abril, entre eles o presidente Jair Bolsonaro.

Washington e Pequim, que disputam a lideran?a global na diplomacia ambiental, disseram estar "comprometidas a cooperar entre si e com outros países para enfrentar a crise climática com a seriedade e urgência que ela exige", diz a nota assinada por Kerry e Xie Zhenhua, enviado especial da China para as mudan?as climáticas.

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Eles afirmaram ainda que continuar?o a discutir "a??es concretas" para reduzir até 2030 as emiss?es de gases causadores do efeito estufa, reafirmando o compromisso assumido no Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a menos de  2oC acima dos níveis pré-industriais. No pacto de 2015, os países signatários adotaram metas voluntárias para reduzir a emiss?o de gases poluentes.

Kerry e Xie se comprometeram também a fazer esfor?os para tentar manter o aumento em nível inferior a 1,5oC, considerado o valor máximo antes de mudan?as catastróficas. Para isso, será necessário alcan?ar a neutralidade de carbono — ou seja, um saldo de emiss?es igual a zero — até 2050.

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A meta mais ambiciosa é impulsionada por Biden, que busca usar a cúpula desta semana para convencer outras na??es a aumentarem os objetivos assumidos há seis anos. A inten??o é que isso seja feito antes da COP-26, conferência climática da ONU que acontecerá em novembro, em Glasgow, na Escócia.

— é muito importante que tentemos deixar outras coisas de lado, porque o clima é uma quest?o de vida e morte em tantas partes do mundo — disse Kerry ao comentar os três dias de reuni?es com Xie, referindo-se à rivalidade entre as duas potências.

Responsável sozinha por 28% dos gases causadores de efeito estufa emitidos no planeta, a China prometeu vagamente no ano passado atingir a neutralidade de carbono até 2060. Um dos fins da Casa Branca com sua cúpula é que os chineses consolidem essa proposta.

Os EUA s?o o segundo maior poluidor, e o maior historicamente, tendo sido responsáveis por 15% do total das emiss?es em 2020. Buscando servir como exemplo, a Casa Branca deverá anunciar durante sua cúpula uma meta atualizada para reduzir suas emiss?es em 50% até o fim desta década, quase o dobro do anteriormente prometido.

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Apoio a países emergentes

Em seu comunicado, Kerry e Xie se comprometeram ainda a criar estratégias de longo prazo para chegar à neutralidade do carbono e apresentá-las até a COP-26. Também disseram que ir?o apoiar a transi??o de países emergentes para formas de energia limpas "sempre que possível", sem especificar como. Eles afirmaram ainda que tomar?o medidas para reduzir a emiss?o de hidrofluorcarbonetos, objetivo da chamada Emenda Kigali do Protocolo de Montreal, à qual a China prometeu aderir na sexta-feira, em reuni?o virtual do presidente Xi Jinping com a alem? Angela Merkel e o francês Emmanuel Macron.

Kerry chegou a Xangai na quarta-feira, um dos destinos finais de sua turnê global, sendo o primeiro emissário da alta cúpula da Casa Branca a visitar o gigante asiático após a posse de Biden, em 20 de janeiro.

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As discuss?es ambientais bilaterais haviam sido praticamente interrompidas durante o governo do ex-presidente Donald Trump, que abandonou o Acordo de Paris em junho de 2017, afirmando que seus termos “prejudicariam” a economia americana e poriam o país em “desvantagem permanente”.

Biden retornou ao pacto horas após a sua posse e, desde ent?o, se concentra ativamente transformar os EUA em uma lideran?a na a??o contra a mudan?a do clima. O protagonismo também é disputado pela China, impasse que cria um obstáculo para uma maior colabora??o, apesar dos compromissos tra?ados no comunicado conjunto.

Sinal disso veio na sexta, durante a visita de Kerry, quando o porta-voz da Chancelaria de Pequim, Zhao Lijian, disse a repórteres que os americanos s?o responsáveis por atrasar o cumprimento do Acordo de Paris. De acordo com a porta-voz, os EUA “deveriam ter vergonha” de tê-lo abandonado e n?o deixam claro como far?o para recuperar o tempo perdido.

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