EUA devem reduzir suas emiss?es pela metade para dar o exemplo, diz secretário-geral da ONU

Segundo António Guterres, mundo está 'à beira de um precipício' ambiental e ina??o coletiva pode causar 'situa??o catastrófica'
Secretário-geral das Na??es Unidas, António Guterres, na sede da ONU em Nova York Foto: MIKE SEGAR / REUTERS/14-9-2020
Secretário-geral das Na??es Unidas, António Guterres, na sede da ONU em Nova York Foto: MIKE SEGAR / REUTERS/14-9-2020

NOVA YORK — O secretário-geral das Na??es Unidas, António Guterres, fez nesta segunda-feira um apelo para que os Estados Unidos se comprometam a cortar ao menos pela metade suas emiss?es de gases causadores de efeito estufa até 2030. Segundo o chefe da ONU, o mundo está “à beira de um precipício” ambiental e um bom exemplo americano poderia desencadear a??es similares em outros países. 

A declara??o foi feita no dia do lan?amento de um relatório da ONU intitulado “O Estado do Clima Global”, às vésperas da Cúpula de Líderes sobre o Clima, nos dias 22 e 23 de abril. O evento, organizado pelo presidente Joe Biden, é o carro-chefe da reivindica??o de lideran?a global americana na quest?o climática.  

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A cúpula virtual reunirá 40 chefes de Estado e governo, entre eles o presidente Jair Bolsonaro. O líder russo, Vladimir Putin, anunciou nesta segunda que também participará, “descrevendo os enfoques russos em dire??o a uma maior coopera??o internacional com o fim de superar os efeitos negativos das mudan?as climáticas”. 

Washington espera usar o encontro para convencer outras na??es a aumentarem suas metas de redu??o assumidas há seis anos no Acordo de Paris — à época, os países signatários assumiram objetivos voluntários para encolher suas emiss?es. O objetivo de Biden é que medidas mais ambiciosas sejam apresentadas até a COP-26, conferência ambiental da ONU que ocorrerá a partir de 1o de novembro em Glasgow, na Escócia.

— Minha expectativa é que os EUA possam apresentar uma redu??o de 50% das emiss?es até 2030, em compara??o com os níveis de 2010 — disse Guterres em entrevista à Reuters, afirmando esperar que a COP-26 possa ocorrer presencialmente. — Se ela acontecer, eu n?o tenho dúvidas que haverá consequências muito importantes para o Jap?o, a China, a Rússia e a outras áreas do planeta onde esses níveis ainda n?o foram inteiramente definidos.

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Mais ambi??o

Segundo informa??es antecipadas pela imprensa americana, Washington deverá anunciar uma meta atualizada para reduzir suas emiss?es em 50% até 2030 em compara??o com os níveis de 2005, quase o dobro do anteriormente prometido. Isso seria equivalente a uma redu??o de cerca de 47% em compara??o aos níveis de 2010, como insta Guterres, segundo cálculos do grupo de pesquisa Rhodium. 

Os americanos s?o hoje os segundo maiores poluentes, responsáveis por 15% das emiss?es — ficam apenas atrás da China, que em 2020 emitiu sozinha 28% dos gases causadores do efeito estufa. No final de semana, Washington e Pequim emitiram um comunicado conjunto afirmando estarem “empenhadas em cooperar” no tópico ambiental, após uma visita do enviado climático de Biden, John Kerry, a Xangai.

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Os dois países, que disputam a lideran?a na diplomacia ambiental, reafirmaram o compromisso assumido no Acordo de Paris para limitar o aumento da temperatura global a menos de  2oC acima dos níveis pré-industriais. Eles se comprometeram também a fazer esfor?os para tentar manter o aumento em nível inferior a 1,5oC, considerado o valor máximo antes de mudan?as catastróficas. Para isso, será necessário alcan?ar a neutralidade de carbono — ou seja, um saldo de emiss?es igual a zero — até 2050.

— O risco maior é que n?o concordemos com 1,5oC como limite, que o ultrapassemos, levando o mundo a uma situa??o catastrófica — disse Guterres, fazendo um apelo para que todos os países sejam mais ambiciosos em seus objetivos. — Nós estamos à beira do precipício, vendo recordes de tempestades, ondas de calor e incêndios florestais.

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Ajuda a países pobres

Segundo o relatório recém-lan?ado pela ONU, a temperatura média do planeta no ano passado foi 1,2oC acima dos níveis pré-industriais, similar às taxas de 2016 e 2019, apesar das condi??es do La Ni?a terem propiciado temperaturas mais amenas. De acordo com as Na??es Unidas, as margens de erro dificultam saber qual ano foi de fato o mais quente.

Guterres defende mais a??es climáticas ambiciosas, como o fim dos subsídios a combustíveis fósseis e um abandono gradual da energia gerada por meio do carv?o até 2030 para países ricos como o Jap?o e Coreia do Sul, e até 2040 para o resto do mundo. Apesar dos custos de energias renováveis terem caído ao longo dos anos e de sua maior eficiência, o secretário-geral crê que os combustíveis fósseis ainda s?o um obstáculo para a transi??o em dire??o à energia limpa.

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Ele fez um apelo também para que os países taxem as emiss?es de dióxido de carbono e que as na??es mais ricas — e responsáveis por a maior parte das emiss?es — auxiliem os países mais pobres a cumprirem suas metas. Isso incluiria a transferência anual de US$ 100 bilh?es (R$ 555,5 bilh?es) anuais para que os Estados mais pobres se adaptem à nova realidade.

Até o momento, o auxílio está longe desse teto, criado em 2009. As estimativas variam, mas um relatório divulgado pela Organiza??o para a Coopera??o e Desenvolvimento Econ?mico no ano passado estima que apenas US$ 79 bilh?es (R$ 438,9 bilh?es) foram transferidos em 2018, a maior quantia até o momento.

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