Europeus cobram mais ambi??o do Brasil no clima, e Salles pede maior financiamento

Em reuni?o nesta quarta-feira, comissário do Meio Ambiente disse que Brasil já foi mais ambicioso. Ministros brasileiros afirmaram que países ricos n?o cumpriram o que prometeram no sentido de apoiar financeiramente na??es em desenvolvimento
Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante evento em Brasília no dia 22 de mar?o Foto: Marcos Correa / Agência O Globo
Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante evento em Brasília no dia 22 de mar?o Foto: Marcos Correa / Agência O Globo

BRASíLIA — Brasil e Uni?o Europeia (UE) mostraram divergências em rela??o às políticas para lidar com a mudan?a do clima, a uma semana de uma reuni?o de chefes de Estado para discutir o clima, convocada pelo presidente americano, Joe Biden. Em um encontro virtual na manh? desta quarta-feira, enquanto o comissário da UE para o Meio Ambiente,  Oceanos e Pesca, Virginijus Sinkevicius, cobrou medidas do governo brasileiro para que o país reduza o desmatamento e volte a ganhar credibilidade internacional, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, desafiou as autoridades europeias a apresentarem metas mais ambiciosas para mitigar os efeitos da eleva??o da temperatura da Terra. 

— A Uni?o Europeia e a comunidade internacional esperam que o Brasil mostre mais ambi??o, tanto na quest?o do clima como em biodiversidade — disse Sinkevicius.

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O comissário europeu lembrou que o Brasil era um dos países mais ambiciosos, mas acabou decepcionando os parceiros internacionais em seu último compromisso voluntário, assumido em dezembro de 2020 no ambito do Acordo de Paris sobre o clima. Na época, o país anunciou a meta de redu??o de 43% das emiss?es de gases de efeito estufa em 2030 e a perspectiva de neutralidade de carbono na economia apenas em 2060 —  a UE e os EUA se comprometeram a eliminar as emiss?es de todos os gases de efeito estufa até 2050. Para ele, foi pouco e representou "uma oportunidade desperdi?ada", além de enviar "um sinal ruim".

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Ricardo Salles rebateu. Disse que as emiss?es do Brasil representam menos de 3% do total, enquanto a taxa da UE é de 14%, boa parte relacionada à queima de combustíveis fósseis. Citou a matriz energética brasileira, considerada uma das mais limpas do mundo, e destacou que a lei ambiental do país é a mais rígida do planeta.

— Estamos dispostos e temos feito tudo para contribuir com o combate às mudan?as climáticas. Tratamos n?o só das emiss?es, mas também da biodiversidade — afirmou Salles, acrescentando que o Brasil n?o pode ser responsabilizado pelas emiss?es realizadas pelas na??es desenvolvidas durante seu processo de industrializa??o.

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Sem mencionar que isso ocorreu em governos anteriores, Salles lembrou que, de 2006 a 2017, o Brasil evitou a emiss?o de 7,8 bilh?es de toneladas de carbono. Se esse volume fosse remunerado, esses créditos somariam US$ 294 bilh?es.

— Mas o Brasil só recebeu US$ 1 bilh?o ao longo desse período — afirmou o ministro, que n?o mencionou, porém, os seguidos aumentos do desmatamento verificados desde a posse de Bolsonaro, em 2019, que os ambientalistas atribuem ao esvaziamento dos órg?os de fiscaliza??o.

O chanceler Carlos Fran?a respaldou a fala de Salles, mas lembrou que Brasil e UE s?o parceiros estratégicos em várias quest?es internacionais. Fran?a destacou que o governo brasileiro trabalha com três pilares — o social, o econ?mico e o ambiental — e está "trabalhando duro" para atingir seus objetivos.

— é urgente lidar com a crise climática e outros objetivos ambientais cruciais, bem como promover o desenvolvimento sustentável. A hora de agir é agora —disse Fran?a.

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Tanto o chanceler como Ricardo Salles disseram que, ao contrário do que foi prometido, os países ricos n?o est?o apoiando financeiramente as na??es em desenvolvimento. Fran?a fez um apelo para que todos os atores da comunidade internacional cumpram seus compromissos.

— Apelamos a outros países para que cumpram também os seus compromissos, n?o só no que diz respeito à mitiga??o, mas também ao financiamento climático e aos meios de implementa??o. Infelizmente, os esfor?os dos países em desenvolvimento para se adaptar às mudan?as climáticas e mitigar suas emiss?es n?o foram acompanhados por um maior apoio financeiro internacional, que é um dos principais capacitadores para os países em desenvolvimento implementarem a??es climáticas ambiciosas — afirmou o chanceler.

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Ele lembrou que o Brasil foi a primeira na??o a assinar a Conven??o-Quadro das Na??es Unidas sobre Mudan?a do Clima na Conferência Rio-92. Ressaltou que o país, desde ent?o, assumiu compromissos voluntários ambiciosos, embora seja responsável por menos de 1% das emiss?es globais históricas de efeito estufa e menos de 3% das atuais.

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