Julgamento do policial acusado de matar George Floyd já dura sete dias; conhe?a os seus principais momentos até agora

Promotores enfatizam uso excessivo e desnecessário da for?a, enquanto defesa alega que morte aconteceu em fun??o do abuso de entorpecentes
Bandeiras do Black Lives Matter do lado de fora do Minneappolis City Hall Foto: Aaron Nesheim/The New York Times
Bandeiras do Black Lives Matter do lado de fora do Minneappolis City Hall Foto: Aaron Nesheim/The New York Times

MINNEAPOLIS - O julgamento de Derek Chauvin, o policial que manteve o joelho sobre o pesco?o de George Floyd por quase 10 minutos durante a pris?o mortal em maio do ano passado, teve o seu sétimo dia de audiências nesta ter?a-feira.

O julgamento de Chauvin, que é branco, deve se prolongar por semanas. Os promotores chamam todas as suas testemunhas antes que a defesa comece a expor seu caso, ent?o até aqui o julgamento foi fortemente voltado para os argumentos da promotoria.

Até aqui, a acusa??o trouxe vários depoimentos de médicos e policiais que disseram que o uso da for?a empregado era desnecessário e abusivo. Houve também vários testemunhos, acompanhados por lágrimas, de pessoas que estiveram presentes durante a pris?o e a morte de Floyd, assim como de seus parentes.

Chauvin, que junto com três outros policiais foi despedido um dia após a pris?o, tem acompanhado as audiências, nas quais a entrada de fotógrafos é restrita.

O uso de drogas por Floyd, um elemento-chave da defesa, já foi abordado pela promotoria, que busca se antecipar à argumenta??o do outro lado. Os advogados de Chauvin devem dizer que Floyd morreu por ter feito uso abusivo de substancias químicas.

O julgamento, um dos mais assistidos em décadas nos EUA, acontece com a lembran?a dos grandes protestos contra o racismo no ano passado ainda fresca.

Abaixo, seis pontos marcantes do julgamento até agora:

Estratégias opostas

Na segunda-feira da semana passado, cada lado deixou clara a sua estratégia nas declara??es iniciais.

Eric Nelson, advogado de Chauvin, tentou convencer os jurados de que os vídeos da morte de Floyd n?o contavam toda a história.

O caso “claramente ultrapassa os cerca de 9 minutos e 29 segundos”, disse Nelson, referindo-se ao tempo em que Chauvin manteve o joelho sobre o pesco?o Floyd.

Chauvin estava seguindo seu treinamento, seu joelho n?o estava necessariamente no pesco?o de Floyd e que a morte pode ter sido causada por drogas, disse o advogado.

Já um dos promotores, Jerry Blackwell, pediu aos jurados para "acreditarem nos seus olhos, que houve um homicídio, um assassinato".

Entrevista:'Nunca existiu um movimento t?o poderoso’, diz filho de Martin Luther King Jr.

Histórias de traumas

Uma série de testemunhas da pris?o já depuseram, e muitas delas come?aram a chorar enquanto contavam o que viram.

Os depoimentos incluíram várias mulheres que eram menores de 18 anos no momento da pris?o, bem como um homem de 61 anos que falou com Floyd enquanto ele estava imobilizado no ch?o. Do balconista da loja de conveniência onde pouco antes Floyd comprou cigarros a um bombeiro que gritou com os policiais quando Floyd parou de responder, as testemunhas expressaram uma sensa??o comum de trauma.

Ao enfatizar o trauma emocional, os promotores aparentemente esperavam convencer os jurados de que as a??es de Chauvin foram claramente excessivas para as pessoas que as presenciaram.

Uso desnecessário da for?a

A promotoria tem insistido na tese de uso abusivo e desnecessário da for?a contra Floyd.

Na sexta-feira, Richard Zimmerman, o policial mais antigo do Departamento de Polícia de Minneapolis, condenou severamente o uso da for?a por Chauvin. Ele disse que Chauvin violou as regras da polícia e classificou suas a??es como "totalmente desnecessárias".

Colocar um joelho no pesco?o de alguém enquanto ele está algemado de bru?os, disse ele, é empregar "for?a mortal".

— Se o seu joelho está no pesco?o de uma pessoa, isso pode matá-la — disse o tenente Zimmerman, acrescentando que as pessoas algemadas geralmente representam pouca amea?a aos policiais.

O testemunho de Zimmerman, refor?ado por seus mais de 35 anos na for?a, pode ser um grande revés para um aspecto crucial da defesa de Chauvin — a tese de que suas a??es n?o eram apenas legais, mas se enquadravam dentro das técnicas aprendidas ao longo de seu treinamento.

Isto foi refor?ado pelo depoimento de Medaria Arradondo, o chefe do Departamento de Polícia da cidade, nesta segunda-feira.

Arradondo disse que Chauvin desrespeitou as normas técnicas e o código de ética do Departamento de Polícia de Minneapolis durante a pris?o.

— N?o faz parte da nossa forma??o e certamente n?o faz parte da nossa ética e dos nossos valores — disse Arradondo.

Arradondo, foi uma das três pessoas a testemunhar nesta segunda-feira no sexto dia de depoimentos no julgamento de Chauvin, acusado de assassinato.

De acordo com especialistas em Justi?a que acompanham processos policiais, é altamente incomum que um chefe de polícia testemunhe contra um de seus ex-subordinados por uso excessivo da for?a.

A ex-comandante do programa de treinamento do departamento, Katie Blackwell, também disse que o ato de Chauvin de colocar o joelho no pesco?o de Floyd n?o estava de acordo com o treinamento fornecido aos oficiais nesta segunda-feira.

— N?o sei que tipo de posi??o improvisada é essa — disse Blackwell.

Os métodos e treinamentos da polícia permaneceram no centro das aten??es na ter?a-feira. O coordenador de Chauvin, Ker Yang, analisou as decis?es tomadas durante a pris?o. Ele disse que um policial deve avaliar a situa??o de uma pris?o constantemente enquanto está em servi?o.

— Quando falamos sobre situa??es de evolu??o rápida, sei que elas existem, elas acontecem — o sargento Yang.

Mas em muitas situa??es, ele acrescentou:

— Temos tempo para desacelerar as coisas, reavaliar e repensar.

Vídeos repetidos por todos os angulos

Pela primeira vez, os momentos finais logo antes da pris?o de Floyd foram mostrados em detalhes. O vídeo de vigilancia da loja de conveniências, junto com o depoimento do balconista, mostrou Floyd andando pela loja, conversando e rindo com os clientes e, finalmente, comprando um ma?o de cigarros com uma nota de US$ 20 que o balconista suspeitou ser falsa.

Em seguida, as cameras presas no corpo de policiais mostraram a pris?o do início ao fim. Uma camera mostra um policial abordando Floyd de pistola em punho, e o áudio capturou a rea??o de medo:

— Por favor, n?o atire em mim — disse Floyd, que aparecia apavorado.

 Enquanto Chauvin o prendia no ch?o, a filmagem capturou os momentos em que os policiais verificaram o pulso e n?o encontraram resposta, mas n?o tomaram nenhuma providência.

Na Fran?a: 'Se eu n?o tivesse cameras, estaria na pris?o', diz produtor musical negro espancado por policiais em Paris

ênfases diferentes no uso de drogas

Na quinta-feira, os jurados ouviram Courteney Ross, namorada de Floyd no momento de sua morte. Por meio de histórias de seu primeiro beijo, de seus encontros e passatempos, os promotores usaram o testemunho de Ross para ilustrar a dignidade de Floyd como pai, parceiro e amigo.

O testemunho de Ross também abordou um dos aspectos mais importantes do julgamento: o uso de drogas de Floyd. O papel que as drogas desempenharam ou n?o na morte deve ser um elemento crucial da defesa, e os promotores abordaram o assunto para antecipar-se às alega??es dos advogados.

Ross disse que ela e Floyd inicialmente foram receitados analgésicos para aliviar dores cr?nicas, mas que, quando as receitas acabaram, continuaram a comprar os comprimidos de outras pessoas. Eles come?aram a se esfor?ar para ficarem limpos, às vezes conseguindo, antes de sofrer novas recaídas.

Nas semanas anteriores à morte de Floyd, disse Ross, ela suspeitou que ele havia voltado a usar drogas.

Os promotores procuraram mostrar que Floyd desenvolveu uma alta tolerancia às drogas, tornando menos provável uma morte por overdose. Floyd tinha metanfetamina e fentanil em seu organismo no momento de sua morte, de acordo com um relatório de toxicologia.

Nesta segunda-feira, o médico Bradford Wankhede Langenfeld, que atendia no Centro Médico de Hennepin County, disse acreditar que Floyd morreu por falta de oxigênio.

Respondendo a perguntas da defesa, o médico disse que a asfixia pode ser causada por uma série de fatores, incluindo o uso de drogas.

Wankhede Langenfeld disse que tentou salvar Floyd por cerca de 30 minutos antes de declará-lo morto. O médico disse que, na época, considerava overdose como uma causa menos provável de morte porque os paramédicos que levaram Floyd ao hospital n?o mencionaram esta hipótese.

Paramédicos o encontraram sem pulso

Dois paramédicos que atenderam Floyd testemunharam que o encontraram sem sinais de vida. Um deles, Derek Smith, sentiu o pesco?o de Floyd enquanto os policiais ainda estavam em cima dele e disse que n?o detectou a pulsa??o sanguínea.

As tentativas de Smith de reanimá-lo, incluindo o uso de um desfibrilador e de uma máquina que fornece compress?es torácicas, n?o tiveram qualquer efeito para melhorar a condi??o de Floyd.

Embora os paramédicos n?o tenham tratado do que exatamente matou Floyd, seu depoimento pareceu apoiar a alega??o dos promotores de que as a??es de Chauvin o levaram à morte.

草蜢社区在线观看-草蜢影院在线影院