Dez anos após o massacre de Realengo, escolas municipais ainda n?o têm controle de acesso

Os contratos de controladores de acesso da Secretaria municipal de Educa??o (SME) foram suspensos na gest?o de Marcelo Crivella e n?o foram retomados pela nova administra??o
Thayane Monteiro, que à época tinha 13 anos e ficou paraplégica após ser baleada, vive sozinha em casa comprada com indeniza??o e cursa Direito Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo
Thayane Monteiro, que à época tinha 13 anos e ficou paraplégica após ser baleada, vive sozinha em casa comprada com indeniza??o e cursa Direito Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo

RIO — Dez anos após o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, a seguran?a ainda n?o é prioridade na rede de ensino da prefeitura. Os contratos de controladores de acesso da Secretaria municipal de Educa??o (SME) foram suspensos na gest?o de Marcelo Crivella, quando ficou determinada a paralisa??o das aulas presenciais em fun??o da pandemia, e n?o foram retomados pela nova administra??o.

Com 419 das 1.543 unidades em funcionamento, a prefeitura diz que, com o avan?o do plano de volta às aulas, “vai avaliar a possibilidade da retomada dos contratos suspensos de acordo com as circunstancias e necessidades da comunidade escolar”.

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A contrata??o de porteiros é uma antiga bandeira da Associa??o Anjos de Realengo, formada por pais de vítimas da tragédia. Para Adriana Silveira, m?e de Luiza, uma das 12 estudantes mortas a tiros pelo ex-aluno da unidade Wellington Menezes de Oliveira, a seguran?a das escolas pouco mudou nos últimos dez anos.

— Acho que n?o aprenderam nada com o que aconteceu no dia 7 de abril de 2011. A gente viu a Tasso da Silveira ser totalmente reformada e ganhar vigilancia 24h da Guarda Municipal, mas n?o adianta mudar a unidade onde tudo isso aconteceu e deixar as outras escolas abandonadas. A gente n?o quer os port?es abertos — diz Adriana.

M?e presta homenagem aos mortos em estátua da filha Luiza Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
M?e presta homenagem aos mortos em estátua da filha Luiza Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

A SME alega que na época do massacre havia um profissional atuando como porteiro na unidade. Como o autor do crime era um ex-aluno, teve o acesso liberado, segundo a pasta. Adriana, no entanto, esclarece que a pessoa que cuidava do port?o na época da tragédia n?o era um controlador de acesso, mas um servidor desviado de sua fun??o original. Essa substitui??o, que surgiu para ser um paliativo, tornou-se a regra nas unidades da prefeitura, de acordo com o coordenador-geral do Sindicato estadual dos Profissionais de Educa??o (Sepe) do Rio, Gustavo Miranda.

— A política da prefeitura é colocar os servidores readaptados, pessoas que est?o em outras tarefas, para atuarem como porteiro. Só que nas escolas municipais os porteiros s?o essenciais. Eles lidam com crian?as. é o porteiro que evita que a crian?a seja entregue para a pessoa errada ou que um estranho entre na unidade. Eles representam a seguran?a da escola, por isso o Sepe tem apontado a necessidade de termos porteiros concursados — afirma Miranda.

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História de supera??o

Na época do crime, a ent?o secretária de Educa??o, Claudia Costin, prometeu admitir mais porteiros para a rede. A seguran?a das unidades virou uma bandeira da titular da pasta, que também anunciou que colocaria um inspetor por andar nas escolas do Rio. Na época, havia 500 inspetores, e a prefeitura anunciou a contrata??o de mais 1.844 servidores para atender toda a rede.

Thayane Tavares, uma das sobreviventes da tragédia, lamenta a mudan?a de postura do governo municipal, embora Eduardo Paes também estivesse à frente da prefeitura na época do massacre.

— Os maiores fatores para o que aconteceu foram o bullying e a falta de seguran?a nos colégios. E ambos ainda n?o s?o tratados da forma como deveriam — desabafa Thayane, que ficou paraplégica após levar quatro tiros.

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Apesar da dificuldade motora, Thayane construiu uma história de supera??o. Ela mora sozinha desde os 18 anos, em uma casa em Campo Grande, que construiu com a indeniza??o paga pela prefeitura. Ex-atleta de salto em distancia, ela n?o abandonou os esportes: no tempo livre, pratica paracanoagem. Atualmente, cursa o sétimo período da faculdade de Direito na Universidade Castelo Branco, em Realengo, e sonha ser juíza.

— Eu sempre me peguei no meio dos conflitos tentando ajudar a solucioná-los. Quero muito ajudar as pessoas — conta ela.

 

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