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Caso Henry: confira o que cada uma das 21 testemunhas contou em depoimento à polícia

No inquérito sobre morte de menino, no dia 8, na Barra da Tijuca, delegado ouviu parentes, médicos e vizinhos da família
O menino Henry Borel de Medereiros tinha 4 anos Foto: Reprodu??o
O menino Henry Borel de Medereiros tinha 4 anos Foto: Reprodu??o

RIO - O delegado Henrique Damasceno, titular da 16a DP (Barra da Tijuca), já ouviu, até o momento, 18 testemunhas no inquérito que apura a morte de Henry Borel Medeiros, de 4 anos, na madrugada de 8 de mar?o. Além da m?e, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva e do padrasto, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), que moravam com o menino, o pai, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, e a avó da crian?a, a professora Rosangela Medeiros da Costa e Silva, também prestaram depoimento. A polícia fez ainda perícias no apartamento onde Henry morreu, e uma reprodu??o simulada do caso, com um boneco representando o menino, também será realizada.

Caso Henry: Conhe?a a vida do menino e os mistérios que rondam sua morte

Compareceram ainda à delegacia três médicas do Barra D’Or, três vizinhos, a babá, a empregada doméstica, a professora, a psicóloga, além de duas ex-namoradas do parlamentar.

M?e de Henry diz que encontrou crian?a no ch?o com olhos revirados

Monique com o filho Henry Foto: Reprodu??o
Monique com o filho Henry Foto: Reprodu??o

A professora disse ter dado banho no filho, por volta de 20h, e depois o colocado na cama de casal para dormir. Monique e Jairinho teriam ficado na sala, vendo televis?o. Até 1h50m, Henry teria levantado três vezes, sendo levado de volta ao quarto pela m?e. Ela relatou que foi para o quarto de hóspedes com o namorado de modo a continuar vendo uma série sem que o barulho incomodasse o filho. Logo após, Jairinho teria adormecido.

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Por volta de 3h30, Monique disse ter levantado e chamado o vereador, que foi ao banheiro. Ao voltar ao quarto do casal, ela diz ter encontrado Henry caído no ch?o, com m?os e pés gelados, olhos revirados e sem responder ao seu chamado.

à polícia, Monique disse acreditar que ele possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama, se desequilibrado ou até trope?ado no encosto da poltrona e caído no ch?o Foto: Reprodu??o
à polícia, Monique disse acreditar que ele possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama, se desequilibrado ou até trope?ado no encosto da poltrona e caído no ch?o Foto: Reprodu??o

No depoimento, Monique disse ter gritado por Jairinho, que foi imediatamente ao c?modo. Eles teriam se arrumado rapidamente e se dirigido para o Hospital Barra D’Or. No caminho, a professora diz ter feito uma respira??o boca a boca na crian?a, depois de orienta??o do parlamentar.  Ao chegar à unidade de saúde, ela contou ter gritado pedindo ajuda, tendo recebido atendimento de várias pessoas imediatamente.

Pelo celularSeis horas após morte do menino, Jairinho trocou mensagens com a ex 'como se nada tivesse acontecido'

Indagada se havia lido o laudo com a causa da morte de Henry, Monique afirmou acreditar que ele possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama, se desequilibrado ou até trope?ado no encosto da poltrona e caído no ch?o.

Pai de Henry acompanhou tentativas de reanima??o na emergência

Leniel Borel de Almeida, pai de Henry Foto: Reprodu??o TV Globo
Leniel Borel de Almeida, pai de Henry Foto: Reprodu??o TV Globo

O engenheiro contou ter recebido uma liga??o de sua ex-companheira, Monique, por volta de 4h30 do dia 8. Ela teria dito que o filho deles estava “sem respirar” e foi levado ao hospital. Ao chegar ao local e encontrá-la na companhia de Dr. Jairinho, foi informado de que a crian?a havia feito um “barulho estranho” enquanto dormia. No quarto do menino, o casal o teria visto com os “olhos virados” e com dificuldade de respirar.

Leniel relatou à polícia que foi ao hospital após ex-mulher lhe dizer que menino "estava sem respirar" Foto: Reprodu??o
Leniel relatou à polícia que foi ao hospital após ex-mulher lhe dizer que menino "estava sem respirar" Foto: Reprodu??o

No depoimento, ele relata que a m?e disse ter feito um procedimento de respira??o boca a boca em Henry. O pai narrou também ter visto os médicos tentando reanimar a crian?a, n?o obtendo sucesso no procedimento. A crian?a morreu às 5h42m, e seu corpo foi removido para o Instituto Médico-Legal (IML), no Centro da cidade.

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Dr. Jairinho relata ter acordado com gritos da m?e de Henry

Monique e Doutor Jairinho: casal foi ouvido na delegacia da Barra Foto: Reprodu??o / TV Globo
Monique e Doutor Jairinho: casal foi ouvido na delegacia da Barra Foto: Reprodu??o / TV Globo

Também em depoimento prestado na 16a DP (Barra da Tijuca), que investiga o caso, Dr. Jairinho confirmou todas as informa??es dadas por Monique. Ele contou ter dormido após tomar três medica??es que faz uso há cerca de dez anos e, ao ser acordado pela namorada, foi urinar. Com os gritos da companheira, ele disse ter caminhado até o quarto. No local, o vereador diz ter colocado a m?o no bra?o de Henry e notado que o menino estava com temperatura bem abaixo do normal e com a boca aberta, parecendo respirar mal.

Em seu depoimento, dr. Jairinho disse que acho que quadro de Henry evoluía mal antes de chegar ao hospital Foto: Reprodu??o
Em seu depoimento, dr. Jairinho disse que acho que quadro de Henry evoluía mal antes de chegar ao hospital Foto: Reprodu??o

Ele disse que acreditou que Henry havia broncoaspirado, mas seu quadro evoluía mal, já que no caminho para o hospital n?o respondeu à respira??o boca a boca nem aos estímulos feitos por Monique. Jairinho contou que, apesar de ter forma??o em Medicina, nunca exerceu a profiss?o e a última massagem cardíaca que realizou foi em um boneco, durante a gradua??o.

Avó materna conta que filha estava desolada no hospital

Polícia cumpre mandado na casa da família de Monique, em Bangu Foto: Fabiano Rocha em 26/03/2021 / Agência O Globo
Polícia cumpre mandado na casa da família de Monique, em Bangu Foto: Fabiano Rocha em 26/03/2021 / Agência O Globo

A professora Rosangela Medeiros da Costa e Silva, avó materna do menino, definiu o neto como uma crian?a doce, tímida, introvertida, educada e excelente aluna. Disse ter recebido uma liga??o de Monique dizendo: “M?e, o Henry n?o está respirando!” e imediatamente se dirigiu ao Hospital Barra D’Or com o outro filho. Durante o trajeto, ela ligou novamente insistindo: “M?e, vem pra cá”. Minutos depois, disse ter recebido o terceiro telefonema, quando soube que o menino havia falecido. Chegando a unidade de saúde, Rosangela contou que encontrou a filha “desolada”.

Avó de Henry diz à polícia que a crian?a morreu de hemorragia, devido a uma queda Foto: Reprodu??o
Avó de Henry diz à polícia que a crian?a morreu de hemorragia, devido a uma queda Foto: Reprodu??o

Perguntada sobre a causa da morte de Henry, Rosangela informou que “pelo que soube” ele “teve um problema no fígado, uma hemorragia causada por uma queda”.

Rosangela disse ainda passou a dormir com o neto de três a quatro vezes por semana depois que a filha foi morar com Jairinho, no condomínio Majestic, na Barra da Tijuca.

Relato de agress?oEx-amorada diz que Dr. Jairinho afundou filha em piscina

Médicas garantem que menino chegou morto

O Hospital Barra D'Or, para onde o menino foi levado Foto: Fabiano Rocha em 06/11/2015 / Agência O Globo
O Hospital Barra D'Or, para onde o menino foi levado Foto: Fabiano Rocha em 06/11/2015 / Agência O Globo

As três médicas pediatras que atenderam Henry Borel Medeiros na emergência do Hospital Barra D’Or garantiram que ele chegou morto a unidade de saúde e com as les?es externas no corpo descritas nos dois laudos do exame de necropsia.

Apoio terapêutico: após menino n?o querer mais ficar em casa, Henry foi levado à psicóloga, que passou a atendê-lo depois do divórcio dos pais

Os documentos, aos quais O GLOBO teve acesso, apontam que a crian?a sofreu hemorragia interna e lacera??o hepática, provocada por a??o contundente. Peritos garantem que as les?es apresentadas no documento, como equimoses, hematomas, edemas e contus?es, n?o s?o compatíveis com um acidente doméstico.

Vizinho escutou gritos desesperados

Condomínio Majestic, na Barra, onde Henry morava com a m?e e o padrasto Foto: Paolla Serra / Agência O Globo
Condomínio Majestic, na Barra, onde Henry morava com a m?e e o padrasto Foto: Paolla Serra / Agência O Globo

Três vizinhos de apartamentos próximos à unidade 203 do bloco I do condomínio Majestic, no Cidade Jardim, foram ouvidos pelo delegado Henrique Damasceno. Dois deles garantiram n?o ter ouvido nenhum barulho ou visto nenhuma anormalidade durante a madrugada do dia 8. Um terceiro disse ter escutado gritos desesperados que poderiam ser de Monique.

Empregada limpou a casa e soube da morte do menino por Monique

Peritos no condomínio na Barra Foto: Reprodu??o TV Globo
Peritos no condomínio na Barra Foto: Reprodu??o TV Globo

A empregada de Monique e Jairinho contou que trabalha no apartamento do casal durante os dias de semana, desde 8 de janeiro, e que só viu a família junta três vezes. Ela relatou ter presenciado Henry, no carnaval, correndo em dire??o ao vereador gritando: “Tio Jairinho, tio Jairinho!” e o abra?ando. Ela negou ter presenciado qualquer discuss?o entre eles.

Empregada contou à polícia que os c?modos da casa estavam como de costume Foto: Reprodu??o
Empregada contou à polícia que os c?modos da casa estavam como de costume Foto: Reprodu??o

No dia 8, a mulher relatou ter chegado por volta de 7h30, como de costume, e organizado a casa. Ela disse ter estranhado apenas o fato de a luz da cozinha estar acesa. Ela contou que, às 9h46, Monique lhe telefonou e disse que ela poderia tirar o dia de folga. Minutos depois, quando esperava o elevador, a empregada encontrou a professora retornando do hospital e foi informada sobre a morte de Henry.

Babá diz que ouviu de Monique que perdera 'seu bem mais precioso'

O menino Henry Borel de Medereiros tinha 4 anos Foto: Reprodu??o
O menino Henry Borel de Medereiros tinha 4 anos Foto: Reprodu??o

A babá de Henry contou aos policiais que iniciou as atividades no apartamento do casal em 18 de janeiro, passando a cuidar de Henry de segunda a sexta-feira, alternando o início da escala de trabalho entre 9h e 11h30, de acordo com as aulas da escola do menino. Ela narrou que o menino assistia às aulas de maneira de forma tranquila e concentrada e nunca demonstrou nenhuma irrita??o nem inquieta??o.

à polícia, babá de Henry disse que m?e da crian?a lhe contou que perdeu seu "bem mais precioso", referindo-se ao filho Foto: Reprodu??o
à polícia, babá de Henry disse que m?e da crian?a lhe contou que perdeu seu "bem mais precioso", referindo-se ao filho Foto: Reprodu??o

Ela definiu a crian?a como “boa” e “perfeita” e negou qualquer ter presenciado qualquer anormalidade na família, a quem disse ter visto reunida no máximo quatro vezes. A funcionária contou também que Henry lhe fazia algumas perguntas, como “Tia, por que existe a separa??o?” Para essa quest?o, ela diz ter respondido: “Para as pessoas n?o ficarem brigando, é melhor que se separem.”

Vídeos:  Veja as imagens do menino antes de morrer que est?o com a Polícia Civil

A babá relatou ainda que, por volta de 9h30 do dia 8 de mar?o, recebeu uma liga??o de Monique, que dizia: “Você n?o precisa ir trabalhar hoje. Henry caiu da cama. Perdi meu bem mais precioso”.

Para psicóloga, menino disse que morava com 'um tio'

Henry Borel: morte de menino de 4 anos é investigada por polícia Foto: Reprodu??o
Henry Borel: morte de menino de 4 anos é investigada por polícia Foto: Reprodu??o

A psicóloga que realizava o acompanhamento terapêutico de Henry, desde o início de fevereiro, disse ter sido procurada por Monique, que relatava que ele “n?o queria ficar” em sua casa. A profissional contou ter realizado cinco consultas com a crian?a, que demonstrava afeto pelos avós maternos e que pronunciou o nome de Jairinho somente no último encontro.

Em depoimento, ela disse que a professora reclamava que Henry n?o queria ir ao Colégio Marista S?o José, onde estava matriculado na pré-escola e frequentou 20 dias de aula. A psicóloga relatou que, a partir da segunda sess?o, passou a explorar o “espa?o lúdico da crian?a”, brincando, desenhando e fazendo trabalho com massinhas.

Trecho do depoimento da psicóloga de Henry à polícia Foto: Reprodu??o
Trecho do depoimento da psicóloga de Henry à polícia Foto: Reprodu??o

A profissional disse ter identificado que o espa?o da casa dos avós maternos, em Bangu, onde Henry já morou e frequentava, era agradável, sobretudo pela presen?a do av?. A mulher contou ainda que Henry contou morar “um tio” em sua casa. Perguntado quem era, o menino respondeu: “Tio Jairinho”, sem deixar transparecer medo do padrasto. Logo em seguida, ele disse estar com saudades do pai.

Professora nega ter percebido les?o ou sinal de maus-tratos

O Colégio Marista, onde Henry estudava Foto: Paolla Serra / Agência O Globo
O Colégio Marista, onde Henry estudava Foto: Paolla Serra / Agência O Globo

A professora do Colégio Marista S?o José, onde Henry estudou por 20 dias, disse n?o ter tido muito contato com o menino, por ele ser aluno novo e pelo fato de estarem atuando em sistema híbrido — com aulas alternadas. Ela disse que Henry apresentava comportamento alegre, falante, participativo e muito interessado.

Trecho do depoimento da professora de Henry Foto: Reprodu??o
Trecho do depoimento da professora de Henry Foto: Reprodu??o

A professora negou ter percebido alguma les?o ou qualquer sinal de maus-tratos. Ela negou também que Henry tenha reclamado de algum tipo de abuso ou problema no ambiente familiar.

Opera??o:Pai de Dr. Jairinho n?o entrega celular porque aparelho foi apreendido pela PF

Ex-namorada de Jairinho relata agress?es e que filha vomitava ao vê-lo

Uma ex-namorada de Jairinho, de 31 anos, relatou ter sido agredida pelo vereador e disse que a filha, de 3 anos à época, ficava nervosa, chorava e até vomitava ao vê-lo. A menina chegou a contar para a avó materna que também apanhava do parlamentar e que teve a cabe?a afundada por ele embaixo da água em uma piscina. O caso está sendo investigado em um inquérito aberto na Delegacia da Crian?a e Adolescente Vítima (Dcav).

Ex-namorada do dr. Jairinho relatou que sofreu agress?es dele ao depor na polícia Foto: Reprodu??o
Ex-namorada do dr. Jairinho relatou que sofreu agress?es dele ao depor na polícia Foto: Reprodu??o

Ela relatou que conheceu Jairinho em 2010, na festa de comemora??o pela elei??o de seu pai, o policial militar e deputado estadual Jairo de Souza Santos, o Coronel Jairo (MDB), e logo depois eles teriam ficado noivos. Na ocasi?o, o vereador era oficialmente casado com a dentista Ana Carolina Ferreira Netto, m?e de dois de seus três filhos — fato que era negado pelo político e seus familiares, segundo ela.

No apartamento: Dr. Jairinho e m?e do menino v?o participar de reprodu??o simulada

A mulher contou que, em determinado momento, sua filha n?o mais queria ficar em sua companhia quando ela estava com Jairinho. A menina chorava e pedia para dormir com a avó materna.

Em depoimento, ex-namorada disse que, em uma viagem,contou ter encontrado o vereador segurando sua filha pelos bra?os. Crian?a estava assustada Foto: Reprodu??o
Em depoimento, ex-namorada disse que, em uma viagem,contou ter encontrado o vereador segurando sua filha pelos bra?os. Crian?a estava assustada Foto: Reprodu??o

A testemunha disse ainda que em uma ocasi?o em que viajou com Jairinho e a filha para Mangaratiba, ele lhe ofereceu remédios para dormir. Ela teria colocado o comprimido embaixo do travesseiro. Ao chegar à sala do apartamento, contou ter encontrado o vereador segurando pelos bra?os a crian?a, que estava assustada. Ela relatou também um episódio em que, depois de uma discuss?o, decidiu voltar para a casa a pé. Inconformado, o vereador foi de carro atrás das duas, abriu a porta e mandou que entrassem. Diante da recusa, ele teria pegado a crian?a pela cintura e a colocado bruscamente no veículo.

Amante de Jairinho diz que conversaram 'como se nada tivesse acontecido' no dia da morte

Vereador Dr. Jairinho é padrasto do menino Henry Borel, que morreu no dia 10 de mar?o Foto: Renan Olaz / Divulga??o CMRJ
Vereador Dr. Jairinho é padrasto do menino Henry Borel, que morreu no dia 10 de mar?o Foto: Renan Olaz / Divulga??o CMRJ

Uma amante de Jairinho contou que, às 11h46 do dia 8 de mar?o — seis horas e quatro minutos após atestada a morte de Henry, eles conversaram “como se nada tivesse acontecido”. A estudante afirmou que o parlamentar a enviou mensagens para saber sobre o resultado de seu antibiograma, um exame laboratorial que a mo?a realizaria depois de se queixar de ardência ao urinar.

Ao depor, amante de Jairinho relatou que ele nada falou sobre a morte do enteado Foto: Reprodu??o
Ao depor, amante de Jairinho relatou que ele nada falou sobre a morte do enteado Foto: Reprodu??o

No depoimento, ela conta que Jairinho escreveu no WhatsApp: “Preciso saber o que deu no antibiograma. Tem que tratar, tem que tratar”. Ao responder que n?o fez o exame, a mulher foi repreendida por ele: “Que loucura é essa?”. A estudante disse que, em momento algum, ele comentou sobre o ocorrido com Henry e que ela ficou sabendo do falecimento do menino por amigos em comum e, depois, pela imprensa. O corpo do menino foi liberado do hospital para o IML por volta de 13h.

A mulher disse ainda ter ligado para a irm? de Jairinho, tendo o próprio posteriormente retornado o telefonema. Ela disse que o vereador a orientou a “ficar tranquila” pelo fato de ter sido intimada a depor, pois apenas teria que relatar como fora o relacionamento dos dois e se ele era agressivo. Ela reiterou que ele continuou sem falar sobre o falecimento do enteado tampouco sobre como se sentia.

Ela revelou que come?ou a namorar Jairinho em 2014, quando assessorava uma vereadora e pediu afastamento do cargo. Ela diz ter ficado com ele durante seis anos, entre idas e vindas, já que na época o parlamentar era casado com Ana Carolina. Em janeiro, a ex-mulher dele chegou a registrar uma ocorrência também na 16a DP narrando ter sido agredida por ele.

Em um novo depoimento, a estudante voltou atrás nas declara??es prestadas e relatou uma série de episódios de violência que sofreu por parte do parlamentar, no qual disse ser sequer "capaz de contabilizar". Ela alegou ter mentido e omitido informa??es por se sentir "amea?ada", uma vez que no momento em que prestou o primeiro depoimento Jairinho ainda estava em liberdade.

A estudante contou que, a partir do segundo ano de relacionamento, passou a "sofrer constantes agress?es físicas", inclusive depois do término do namoro, com a primeira delas em 2016. Em 2015, enquanto dormia, o vereador colocou na boca do filho dela, atualmente com 8 anos, um papel e um pano e disse que ele n?o poderia engolir. Ele teria deitado a crian?a no sofá da sala, ficado em pé no sofá e apoiado todo o peso do seu corpo nele com o pé.

Agress?o rompeu pontos de implante de silicone

O delegado Henrique Damasceno, titular da 16a DP, ouviu um médico que realizou o implante de silicone em uma das ex-namoradas de Jairinho. Ela havia relatado que os pontos da cirurgia foram rompidos em uma das agress?es que sofreu do vereador. Em depoimento, o médico disse n?o se lembrar do episódio. Porém acrescentou que procuraria o prontuário da paciente.

Advogado chamado para impedir que corpo fosse ao IML

Um advogado contou que foi contactado às 4h57m do dia 8 de mar?o por Jairinho, que tentava impedir que o corpo de Henry fosse encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Na delegacia, a testemunha relatou que o vereador lhe escreveu: “Amigo, quando puder me liga”; “amigo, me dê uma ligada”; “coisa rápida”; e “preciso de um favor no Barra D’Or”. às 7h17m, o executivo retornou, pelo aplicativo de mensagens, dizendo: “Pode ligar.” Segundo o advogado, o vereador, “em tom calmo, tranquilo e sem demonstrar nenhuma emo??o”, contou que “tinha acontecido uma tragédia” e falou sobre a morte de Henry. Explicando que Monique “estava sofrendo muito”, ele pediu ajuda na “agiliza??o do óbito”.

Ex-mulher confirma agress?es dois dias após cerim?nia religiosa de casamento

A dentista Ana Carolina Ferreira Netto confirmou que sofreu agress?es por parte do parlamentar, no dia 29 de dezembro de 2013 - dois dias após o casamento deles em cerim?nia religiosa. Ela contou que, ao desistir de uma viagem de lua de mel depois de ter visto o marido conversando no telefone com outra mulher, ele a chutou. Na época, a dentista chegou a fazer um registro de ocorrência por les?o corporal e ainda um exame de corpo de delito, mas dias depois retornou a 16a DP (Barra da Tijuca) e informou que n?o gostaria de representar criminalmente contra Jairinho.

Babá diz ter mentido por 'medo de Jairinho'

Em novo depoimento, em 12 de abril, a babá Thayna de Oliveira disse que, por medo, havia mentido na declara??o dada em 24 de mar?o, quando garantiu que Dr. Jairinho, Monique e Henry viviam em harmonia. Ela afirmou que,"por ter visto o que Jairinho tinha feito contra uma crian?a, ficou com medo que algo também pudesse acontecer com ela própria". Ela afirmou, ainda, que a avó materna do menino, a professora Rosangela Medeiros da Costa e Silva, tinha conhecimento das agress?es sofridas por Henry.

Empregada citou ‘cara de apavorado’ de Henry após agress?es

No segundo depoimento prestado, no dia 14 de abril, a empregada doméstica Leila Rosangela de Souza Mattos acrescentou informa??es à declara??o que apresentou em 23 de mar?o. A funcionária contou estar no apartamento da família médico quando a babá Thayna de Oliveira Ferreira narrou em tempo real as agress?es do parlamentar a Henry. Segundo ela, o menino saiu do quarto com "cara de apavorado".

A funcionária negou ter visto o menino relatar a babá que levou “bandas” e “chutes” do vereador. Ela contou que, embora Thayna tenha perguntado a crian?a sobre o que acontecera no quarto, ela nada teria respondido - ao menos que Rosangela tenha ouvido. Ela relatou que o menino disse estar mancando por ter “caído da cama” e pediu para que n?o tivesse os cabelos penteados, pois sua “cabe?a doía”.

Irm? de Jairinho nega ter tido conhecimento de violência

A irm? do vereador, Thalita de Souza, diferente do que contou a babá babá Thayna de Oliveira Ferreira , negou ter tido conhecimento de qualquer agress?o praticada pelo irm?o. No depoimento, a funcionária relatou ainda ter sido orientada por ela a n?o contar sobre “tudo que sabia” acerca das bandas e chutes do vereador contra o menino. Essas informa??es também n?o foram confirmadas por Thalita.

Cabelereira viu Monique falar com Henry por videochamada e ouviu briga

A  cabelereira que atendia Monique no dia 12 de fevereiro, quando Henry teria confessado que era agredido por Dr. Jairinho, viu quando a professora recebeu uma videochamada do filho. Ela ouviu enquanto Henry Borel Medeiros contava para a m?e que o médico e vereador o havia agredido. Ela lavava, hidratava e escovava o cabelo e fazia manuten??o da unha de acrigel e embelezamento de pés e m?os. A cabelereira contou à polícia que viu quando a crian?a, chorando, perguntou se ele atrapalhava a m?e, contou da briga com o padrasto e pediu que ela voltasse para casa. Em seguida, Monique teria ligado para Jairinho e, aos berros, o repreendeu por seu  comportamento com o filho.

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