Caso Henry: 'N?o nos abandone', pediu Monique após depoimento de empregada em que n?o citou agress?es

Mensagem foi enviada a funcionária antes de ela ser ouvida pela segunda vez e admitir ter presenciado Henry sair do quarto com 'cara de apavorado' e mancando após levar 'chutes' e 'bandas' de Dr. Jairinho
A doméstica Leila Rosangela ao chegar à 16a DP para o segundo depoimento em 14/04/2021 Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo
A doméstica Leila Rosangela ao chegar à 16a DP para o segundo depoimento em 14/04/2021 Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo

RIO —  Mensagens recuperadas no celular de Monique Medeiros da Costa e Silva, que constam do inquérito que apura a morte de seu filho, Henry Borel Medeiros, de 4 anos, e foram obtidas com exclusividade pelo GLOBO, mostram declara??es de amor da professora à empregada doméstica Leila Rosangela de Souza Mattos e pedidos para que ela "n?o abandone" a família. A conversa entre as duas ocorreu após o primeiro depoimento prestado pela funcionária ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16a DP (Barra da Tijuca), no qual ela n?o mencionou as agress?es por parte do médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido), ao menino. Dezenove dias depois, com o casal já preso, Rosangela retornou à delegacia e mudou o depoimento. Ela admitiu ter presenciado o garoto com “cara de apavorado” e mancando após levar "chutes" e "bandas" do parlamentar.

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às 12h50 do dia 17 de mar?o, Monique escreve: "Amo você, Rosa. Parece que você é da minha família. Obrigada por seu carinho”. A empregada ent?o responde: “Obrigada, vou terminar os cal?ados e vou para casa. Na sexta, pego as roupas, tá?", em alus?o aos servi?os que estava fazendo no apartamento 203 do bloco I do condomínio Majestic, no Cidade Jardim, onde a professora morava com o vereador e o filho até a madrugada de 8 de mar?o.

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Dois dias depois, Rosangela ent?o avisa à patroa que fora intimada a prestar esclarecimento como testemunha na investiga??o que apura a morte de Henry. "Monique, o rapaz da delegacia me ligou para eu ir na ter?a-feira às 15h depor", escreve, às 16h21m de 19 de mar?o. Na data agendada, a empregada contou aos policiais que trabalhava na residência durante os dias de semana, desde 8 de janeiro, e que só vira a família junta três vezes. Ela relatou ter presenciado Henry, no carnaval, correndo em dire??o ao vereador gritando: "Tio Jairinho, tio Jairinho!" e o abra?ando e negou ter presenciado qualquer discuss?o entre eles.

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Já à 0h37m de 25 de mar?o, Monique diz: "Dorme bem. E n?o nos abandone. Você, mesmo por pouco tempo, já faz parte das nossas vidas. Só n?o perde a fé. Ore por nós". Rosangela, que avisou que iria trabalhar na casa da família de Jairinho, em Bangu, no dia seguinte, responde: "Durma bem também! Eu n?o vou abandonar. Vou orar sempre. Beijos".

A professora e o vereador foram presos, na manh? de 8 de abril, por haver indícios da participa??o dos dois na morte de Henry e ainda por estarem influenciando testemunhas do inquérito. Durante a perícia no celular de Monique, foram encontradas mensagens nas quais a babá Thayna de Oliveira Ferreira narrou em tempo real as agress?es de Jairinho ao menino, no dia 12 de fevereiro. A funcionária procurou novamente a delegacia e, ao contrário do que relatou no primeiro depoimento, admitiu ter presenciado a sess?o de violência. Ela ainda afirmou que a empregada estava no imóvel nessa data.

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Rosangela ent?o dep?s novamente, no dia 14 de abril, e acrescentou informa??es às declara??es apresentadas por ela anteriormente. Ela admitiu estar no apartamento em 12 de fevereiro e que ter visto Henry sair do quarto do padrasto com "cara de apavorado". Ela negou ter visto o menino relatar a babá que levou "bandas" e "chutes" do vereador e disse ele relatou estar mancando por ter “caído da cama” e pediu para que n?o tivesse os cabelos penteados, pois sua “cabe?a doía”.

Durante o depoimento, Rosangela contou ter ligado duas vezes para Thayna para ter notícias do menino. Ela admitiu que "estranhou esses acontecimentos", mas depois daquele momento afirmou nunca ter comentado mais sobre o assunto. A empregada doméstica contou que, dias depois, ao ligar para Monique para saber quando o casal voltaria de Mangaratiba, na Costa Verde fluminense, onde passava o carnaval, ela foi informada pela patroa que Henry havia tido "um surto com Jairinho" e que "foi a maior discuss?o", tendo ela conseguido acalma-lo em seguida.

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Sobre n?o ter abordado esses assuntos no primeiro depoimento prestado, Rosangela disse n?o ter se recordado de "tais acontecimentos", mas negou ter problemas de memória.

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