'Desespero fez arrancar o mega hair', diz defesa de m?e de Henry sobre ida a sal?o

Monique Medeiros da Costa e Silva foi, no dia seguinte de sepultamento de menino, a estabelecimento de shopping da Barra da Tijuca, o mesmo em que estava quando foi alertada sobre agress?es de Dr. Jairinho
Monique Medeiros da Costa e Silva, m?e de Henry, em foto do sistema penitenciário. Foto: Reprodu??o / Agência O Globo
Monique Medeiros da Costa e Silva, m?e de Henry, em foto do sistema penitenciário. Foto: Reprodu??o / Agência O Globo

RIO — A defesa de Monique Medeiros da Costa e Silva argumenta que ela esteve em um sal?o de um shopping na Barra da Tijuca, no dia seguinte ao sepultamento do filho, Henry Borel Medeiros, de 4 anos, para fazer a manuten??o do mega hair — método de alongamento de cabelos no qual fios s?o fixados perto do couro cabeludo em várias camadas. De acordo com o advogado Hugo Novais, a professora, que é investigada pelo homicídio do menino e está presa temporariamente no Instituto Penal Ismael Silveiro, em Niterói, alegou que o nervosismo a fez desgrudar os tufos:

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— Monique ficou desesperada, arrancou os cabelos porque tem mega hair. Foi esse o motivo de ela ter ido ao sal?o no dia seguinte. Ela n?o tinha como se apresentar daquela forma.

Como O GLOBO mostrou, a professora esteve em 12 de mar?o no estabelecimento, onde foi atendida por três profissionais, totalizando R$ 240 em servi?os realizados. Uma conversa recuperada no celular dela, que consta no inquérito da Polícia Civil e foi obtida com exclusividade, mostra mensagens trocadas entre ela e uma atendente do sal?o, logo depois que o pagamento foi feito, às 14h. A funcionária se desculpa por ter cobrado valor inferior e descrimina os atendimentos prestados: pé: R$ 39; m?o: R$ 35; conserto (de unha de acrigel): 27; e tratamento: R$ 139.

Monique Medeiros e o padrasto de Henry Borel, o vereador Dr. Jairinho, s?o suspeitos pela morte do menino de 4 anos, no dia 8 de mar?o de 2021.
Monique Medeiros e o padrasto de Henry Borel, o vereador Dr. Jairinho, s?o suspeitos pela morte do menino de 4 anos, no dia 8 de mar?o de 2021.

A mo?a oferece que Monique transfira, por PIX, os R$ 40 que faltaram, mas a professora responde: “Sem problemas. Vou passar aí.” O estabelecimento fica a cinco minutos de carro do apartamento 203 do bloco I do condomínio Majestic, no Cidade Jardim, onde ela morava com o menino e o namorado, o vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), desde novembro do ano passado.

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Foi justamente nesse sal?o em que Monique estava quando foi alertada em tempo real sobre as agress?es do vereador contra Henry pela babá Thayna de Oliveira Ferreira. Na ocasi?o, por volta de 16h de 12 de fevereiro, ela lavava, hidratava e escovava o cabelo, fazia manuten??o da unha de acrigel e embelezamento de pés e m?os, quando uma das profissionais que a atendia presenciou a videochamada com o menino.

Em depoimento prestado na 16a DP (Barra da Tijuca), a cabeleireira relatou que a crian?a dizia “Mam?e, eu te atrapalho?” e “Mam?e, o tio disse que eu te atrapalho”. Ela teria respondido que n?o, de forma alguma, e Henry, “com um choro manhoso”, teria pedido: “Mam?e, vem pra casa” e “O tio bateu” ou “O tio brigou” — a profissional diz n?o se lembrar a frase exata.

O menino Henry Borel, de 4 anos, morto no dia 8 de mar?o, fez uma liga??o por videochamada para a m?e, Monique Medeiros, no dia 12 de fevereiro. A chamada foi atendida por Monique em um sal?o de beleza na Barra da Tijuca. Monique e o padrasto da crian?a, o vereador Dr. Jairinho, est?o presos, suspeitos de matar Henry.
O menino Henry Borel, de 4 anos, morto no dia 8 de mar?o, fez uma liga??o por videochamada para a m?e, Monique Medeiros, no dia 12 de fevereiro. A chamada foi atendida por Monique em um sal?o de beleza na Barra da Tijuca. Monique e o padrasto da crian?a, o vereador Dr. Jairinho, est?o presos, suspeitos de matar Henry.

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A profissional disse que a professora estava “um pouco agitada” e, ao terminar de fazer as unhas, fez ou recebeu uma chamada telef?nica, tendo iniciado a conversa dizendo: “Você nunca mais fale que meu filho me atrapalha, porque ele n?o me atrapalha em nada.” E continuou: “Você n?o vai mandar ela embora, porque se ela for embora, eu vou junto. Porque ela cuida muito bem do meu filho. Ela n?o fez fofoca nenhuma. Quem me contou foi ele”.

A profissional afirmou que o interlocutor, que seria Jairinho, disse “algo”, ao que Monique respondeu: “Quebra, pode quebrar tudo. Você já está acostumado a fazer isso.” Ela contou que a professora estava exaltada e gritava no telefone, “raz?o pela qual os presentes puderam ouvir sua conversa”. Ao encerrar a chamada, ela perguntou a cabeleireira se havia algum lugar no shopping que vendesse cameras, sendo informada sobre uma loja de eletrodomésticos. Durante a reprodu??o simulada realizada no apartamento do casal, policiais da 16.a DP localizaram um equipamento dentro da caixa na estante do quarto de Henry.

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Também como O GLOBO mostrou, depois que voltou a morar com a m?e, em Bangu, também na Zona Oeste, Monique continuou a cuidar da beleza: mensagens do seu celular mostram que ela solicitou servi?os de cabeleireiro e manicure delivery, na noite de 25 de mar?o. Em uma das conversar, a professora insistiu: “Estou na minha m?e. Você pode vir? Pago seu carro de aplicativo. Pago o que for a mais pra vc poder vir, pois a tarde terei reuni?o”.

 

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