Consumir álcool n?o altera efeito da vacina, confirmam cientistas

Boato de que é preciso cortar bebidas alcoólicas antes e após imuniza??o da Covid surge nas redes e até nas salas de vacina??o
José Olímpio de Paula, de 67 anos, foi outro dos idosos vacinados na institui??o de S?o Paulo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
José Olímpio de Paula, de 67 anos, foi outro dos idosos vacinados na institui??o de S?o Paulo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

S?O PAULO - é preciso evitar o consumo de bebida alcoólica antes ou depois de tomar vacina contra a Covid? N?o, mas a ideia de que é necessário cortar o álcool no período de imuniza??o é um mito que tem se espalhado nesta campanha, constata a médica M?nica Levi, diretora da Sociedade Brasileira de Imuniza??es (SBIm).

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A entidade, que inclusive ajuda nas decis?es do Programa Nacional de Imuniza??o (PNI) junto ao Ministério da Saúde, n?o tem qualquer recomenda??o neste sentido.

— Há muito tabu e muito despreparo dos profissionais da saúde que est?o nas salas de vacina??o — avalia Levi. — Infelizmente o Brasil n?o deu conta de fazer um bom treinamento dos profissionais, e cada um fala o que quer — conclui.

Para Levi esse boato é preocupante, porque pode desestimular a prote??o de parte da popula??o. Entre o 1,5 milh?o de pessoas que n?o apareceram para tomar a segunda dose contra a Covid, número que o Ministério da Saúde divulgou nos últimos dias, podem estar alguns que foram impactados por essa desinforma??o quanto às bebidas alcoólicas, projeta a médica.

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O mito se traduz tanto em receio de que a vacina n?o funcione quanto de que provoque uma rea??o indesejada, mas os fabricantes dos imunizantes usados no Brasil, CoronaVac (criado pela biofarmacêutica chinesa SinoVac) e Covishield (do laboratório AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford), n?o veem comprometimento do efeito nem o risco de eventos adversos ligados às bebidas. Nos estudos clínicos, os voluntários n?o precisaram ter nenhum cuidado quanto a isso.

Também n?o há nada a respeito nas bulas de ambos, afirma a Agência Nacional de Vigilancia Sanitária (Anvisa), órg?o responsável por avaliar e liberar os produtos no país. A reportagem consultou ainda o Instituto Butantan, que produz a CoronaVac, a Fiocruz, responsável pela Covishield, e o Ministério da Saúde. Todos afirmam que n?o há por que se preocupar.

“N?o há nenhuma evidência sobre a rela??o do álcool com o comprometimento da forma??o de anticorpos promovida pela vacina Covid-19”, diz a pasta, em nota enviada por sua assessoria de imprensa.

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Em contraste com as informa??es oficiais dos fabricantes e das autoridades de saúde, n?o é incomum ver nas redes sociais publica??es falando de orienta??es assim recebidas no momento da imuniza??o. Um vídeo que viralizou nas últimas semanas mostra um senhor surpreso ao ouvir da profissional de saúde que terá de esperar 30 dias para tomar uma cerveja. “égua, tira de volta isso”, brinca ele.

O portal de notícias Ver-o-Fato, de Belém, noticiou que a grava??o foi feita em um posto de vacina??o drive thru da cidade. A Prefeitura de Belém n?o confirma o local da filmagem, mas, em nota, explica que há sim uma orienta??o no município, só que mais curta. “O recomendado é de 24 a 48 horas ficar sem beber, mas por quest?o de efeito colateral”, escreve a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde. “N?o tem nenhuma orienta??o para que as vacinadoras digam que tem que ficar um mês sem beber”, completa.

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A abstinência também é recomendada, por exemplo, pela Prefeitura de Fortaleza. Segundo a gest?o, o consumo de álcool deve ser evitado “por pelo menos 24 horas do período de aplica??o de qualquer vacina ofertada pela rede pública”.

Para a SBIm nada disso faz sentido. Uma resposta menor do sistema imunológico só deve ser uma quest?o entre as pessoas que fazem consumo pesado de álcool, especialmente aquelas que já têm uma doen?a hepática. Elas, ainda assim, n?o têm nenhuma contraindica??o para tomar a vacina, ressalta Levi. Pelo contrário, quem abusa do álcool tende a ser mais suscetível a infec??es e, por isso, deve buscar a prote??o assim que possível.

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No caso dos bebedores pesados, a orienta??o do Centro de Informa??es sobre Saúde e álcool (Cisa) é a de que tentem parar ou pelo menos diminuam o consumo durante o processo de imuniza??o.

— A preocupa??o que a gente tem n?o é só com a vacina, é por toda a quest?o do consumo pesado de álcool em tempos de pandemia. é importante que as pessoas tenham um controle do consumo — avisa a biomédica Erica Siu, vice-presidente do Cisa.

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A ingest?o moderada, o famoso “beber socialmente”, ela diz, é calculada como sendo de, no máximo, uma dose por dia para mulher e até duas doses por dia para homem.

— é importante a gente destacar o conceito de dose. Uma dose padr?o s?o 350 ml de cerveja ou 150 ml de vinho ou 45 ml de destilado — afirma.

 

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